Programa SADA – missão 4, Dezembro de 2009

A Doutora Cláudia Delgado foi a primeira investigadora convidada a participar no Programa SADA. De forma inédita, uma missão não foi levada a cabo pelo Coordenador do Programa. Foi integralmente conduzida pela referida bióloga marinha, pós-graduada pela Universidade da Madeira em “Caracterização do desenvolvimento reprodutivo e de níveis hormonais em tartarugas marinhas da espécie Caretta caretta“. Eis o seu relatório de missão:

A missão 4 do Programa SADA decorreu entre 5 e 20 de Dezembro de 2009, numa parceria com o CIIMAR. Esta missão assumiu o objectivo muito específico incrementar a base de dados de amostras de sangue, para genética e perfis hormonais, de machos adultos de tartaruga-de-pente Eretmochelys imbricata, conhecida localmente (na Ilha do Príncipe) como tartaruga-de-caco ou sada. O intuito é, futuramente, compreender melhor a dinâmica migratória e populacional dos machos reprodutores desta espécie em risco crítico de extinção.

Para tal, e mais uma vez no Programa SADA, contou-se com a valiosa colaboração de mergulhadores locais, mais conhecidos como submarinos, e com o apoio dos Litoney Matos, Nuno Couto, Duko, Mingos e Lindo, colaboradores locais e regulares do Programa.

No total, foram capturados 13 esquivos machos adultos, que foram marcados com flipper tags e também com PIT tags. Foram recolhidas amostras de sangue e feitos exames externos por forma a detectar quaisquer sinais de doenças, ferimentos e/ou epibiontes. Os animais foram capturados em águas tão díspares como ao largo do Ilhéu Bom Bom, junto às Praias das Burras e Abade, à Ponta da Laranjeira na Ribeira Izé, à Ponta Atalaia, e até mesmo à entrada da baía da cidade de Stº António.

Durante a campanha foi ainda possível conhecer a comunidade piscatória da Praia Seca, um local de difícil acesso no sul da Ilha, em pleno Parque Natural Ôbo. Para lá chegar, optou-se por alugar um prau, pequena embarcação constituída por uma canoa à qual se acopla, paralelamente, um pequeno flutuador e uma plataforma de madeira, resultando tudo isto num conjunto bastante estável. O local é tão isolado que várias mão-branca Chelonia mydas sobem para nidificar na areia, mesmo junto às cabanas improvisadas pelos pescadores, alheias a qualquer actividade humana. Muitas das pessoas residem ali apenas parte do ano, quando permanecem para pescar, e secar e salgar o peixe, que depois vendem para São Tomé. Tal actividade constitui, para muitas dessas pessoas, a sua principal fonte de rendimento. Mesmo ao lado, na Praia Grande do Infante, muitos pescadores reportam a nidificação da tartaruga-de-caco, atestando a importância desta zona.

Foi ainda possível participar nos trabalhos de patrulhamento nocturno em praias. A Praia Grande, no NE da Ilha, é vigiada pelos guardas Zeferino e Hualton.  Nesta praia a mão branca nidifica em abundância, e conta já com mais de 14o posturas nesta época. Já na Praia do Iola, vigiada pelo guarda António, confirma-se a nidificação da tartaruga-de-caco.

A missão terminou com a organização das questões legais para a entrada em Portugal das amostras biológicas recolhidas, e com uma reunião com o Presidente do Governo Regional, Engº Tozé Cassandra, em jeito de balanço. Houve ainda a possibilidade de realizar alguns preparativos para a missão 5, que se já aproxima e uma vez mais a cargo do Prof. Nuno Loureiro.

O Príncipe e as suas tartarugas e gentes deixam saudades mesmo antes de partir…
… na esperança de se voltar em breve!

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