Interrogações sobre Tartarugas Marinhas no Príncipe

tpnprincipeSintetizando comentários de Jacques Fretey e Manjula Tiwari, algumas E. imbricata capturadas no Golfo da Guiné eram portadoras de tags aplicados no Brasil. Este facto, que necessita ser estudado com mais pormenor, permite enunciar a hipótese duma migração atlântica da SADA, entre o Brasil e a África. Uma nota sobre o assunto foi, por exemplo, publicada em 2000, no Marine Turtle Newsletter no. 87

Por outro lado, parece existir uma zona de crescimento de imaturos bênticos de E. imbricata, nas águas a sul dos Camarões. J. Fretey enuncia a hipótese de que esses imaturos sejam provenientes das praias do Príncipe e Bioko…

M. Tiwari e colaboradores vão começar em STP, em breve, um novo projecto de investigação, para tentar avançar na confirmação da hipótese enunciada em 1999, por J. Fretey, J.-F. Dontaine e O. Neves, sobre a existência de uma zona de crescimento de juvenis bênticos de D. coriacea a sul do Príncipe…

Uma resposta a Interrogações sobre Tartarugas Marinhas no Príncipe

  1. Tartarugas em São Tomé e Príncipe em “risco de desaparecer”…

    Depois de um regresso e visita rápida a São Tomé, para participação no “Encontro de Desenvolvimento Local”, esta foi a sensação que ficou depois de reencontrar as pessoas que trabalham directamente com tartarugas marinhas.

    Dados do Centro de Incubação de Morro-Peixe, número de ninhos/posturas protegidas, indicam um decréscimo do número de fêmeas maturas: 2006/07, ~200 ninhos; 2007/08, ~100 ninhos; 2008/09, ~50 ninhos. Na Praia Grande do Príncipe os dados indicam a mesma tendência. Normalmente entre 150 a 200 ninhos de mão-branca (Chelonia mydas) são protegidos por cada temporada, este ano o seu número ultrapassou por pouco os 40 ninhos.

    Para confirmar estas tendências teriam de se observar os dados relativos a uma série temporal mais extensa, devido à flutuabilidade natural do número de fêmeas entre épocas de desova, o que de momento não é possível devido à falta de técnicos qualificados no país e aos dados recolhidos serem enviados para o Gabão.

    Entretanto, na zona norte de São Tomé, a equipa de protecção encontra-se desanimada e desapontada. Enquanto fazem o seu trabalho de patrulhamento nocturno das praias encontram frequentemente pessoas a capturar tartarugas, mesmo a matarem para retirar a carne e ovos para venda antes de desovarem, e face à inexistência de lei sentem-se impotentes e sofrem com isso. Inclusive o cercado de incubação/protecção é alvo de assaltos para roubo dos ovos que eles conseguiram transplantar para protecção. O preço de uma tartaruga tàtô (Lepidochelys imbricata) capturada na praia, por ser das mais pequenas, rende aproximadamente 5 € para quem a apanha.

    Apelam, a quem possa ajudá-los, à criação de uma pressão internacional para aprovação da lei nacional sobre tartarugas marinhas. Por serem espécies que levam muito tempo a atingir a maturidade, mesmo não existindo dados científicos sobre o decréscimo das populações e suas causas antropogénicas (e.g. deterioração das praias de desova; capturas directas na zona costeira por habitantes locais; capturas indirectas em alto mar pela frota pesqueira internacional), por precaução devia-se reduzir a sua captura desde já.

    Pescadores de tartaruga em São Tomé, membros da cooperativa de pescadores e palaiês de tartaruga comentam o incremento do esforço dirigido às tartarugas no Príncipe e da necessidade urgente de se encontrarem alternativas profissionais para os envolvidos na pesca de tartaruga marinha no país. Inclusive explicam que as vendedoras de tartaruga, palaiês, estão a pagar metade pelas tartarugas devido ao rumor que existe que é crime capturar tartarugas. Desta forma uma mão-branca (C. mydas), que rendia cerca de 20 € ao/s pescador/es que a capturaram, está a valer agora aproximadamente 10 €. Esta descida do preço tem repercussões no consumo, pois torna-se um produto mais barato e dessa forma mais acessível.

    Em conversa com os tartarugueiros ou artesãos de escamas de sada (Eretmochelys imbricata), membros da cooperativa de tartarugueiros, constatámos que continuam a actividade mesmo existindo outras matérias-primas que podem substituir parte das peças efectuadas com tartaruga. Isto acontece devido, principalmente, à procura internacional desse tipo de artesanato, mesmo existindo esforços no país para que assim não seja e após o acordo CITES assinado por São Tomé e Príncipe, e ao rendimento que a actividade produz. Cada tartarugueiro necessita mais de 50 tartarugas por ano e um quilograma de escamas custa-lhes entre 11 e 13 €…

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